Se você é um produtor rural, sabe certamente o que é ser assolado por todo tipo de pressões para desempenhar suas atividades, sejam elas vindas pelas mãos divinas ou nas dos meros mortais.
Por mais que se tente levar a contento as vicissitudes causadas pelas variações do clima, nas chuvas em excesso ou por outro lado escassas; no preparo certo da terra dentro das melhores técnicas de correção e adição de nutrientes suficientes para uma boa produção; no combate cuidadoso das pragas e insetos prejudiciais ao bom desenvolvimento dos cultivares; no planejamento criterioso e hoje mais do que nunca exigível ao nível acadêmico de bons profissionais da agronomia, que nortearão os parâmetros de uma produção balanceada e com o melhor custo X benefício; com a colheita e suas conseqüentes vias que vão do beneficiamento, embalagem, estocagem até a comercialização por um preço justo.
Tudo assim descrito sucintamente parece tão fácil ao leigo ler, e, encantador como o canto das sereias na mitologia Viking, hipnotizante... Entretanto com um final aterrorizador.
Feitas as contas finais, enfrentar-se-ão critérios desanimadores:
1 - a falta de crédito justo (sem o apadrinhamento hoje existente – o dinheiro sai é para “os mesmos” – e nem sempre são os que precisam, mas para os que oferecem melhor garantia) e que esteja no compasso das necessidades da lavoura;
2 – o dólar sobe, subindo com ele os preços dos insumos e no sentido inverso caem os preços de seus produtos;
3 – o dólar cai, os insumos ficam nas alturas dantes existentes e os preços da sua produção caem por serem atrelados à moeda americana (coisa das bolsas de Chicago, Nova Iorque, Londres e outras, todas no exterior – pois é de lá que se comandam os preços – por lá subsidiados por seus governos e por cá no salve-se de quem puder);
4 – quanto a falta de chuvas, por aqui se emprega a tecnologia da irrigação artificial, salvando grande parte dos desmandos da natureza, mas atualmente somos preza fácil do IGAM, que manda e desmanda no setor em nosso município, por eles considerado o paliteiro de Minas, e Araguari o balão de ensaio do órgão;
5 – entrando na área dos desmandos da legislação, temos a empregada pelo SEMAD – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, exigindo o cumprimento da lei ambiental a ferro e fogo, sem tomar partido das necessidades do homem do campo nas discussões das matérias de seu próprio interesse, pois se assim o fosse, pelo menos tomariam maiores cuidados ao colocar em uso as Deliberações Normativas do COPAM – Conselho de Política Ambiental, pois desde o início de abril não é possível conseguir junto a SUPRAM de Uberlândia qualquer documento relacionado a área agrossilvipastoril – como isenção de licenciamento, Autorização Ambiental de Funcionamento, ou seja, nem mesmo a geração do FOBI que é o documento que o estado usa para dar início aos processos de licenciamento. Está sendo exigido o uso do novo formulário de cadastramento do empreendimento (FCEI - modelo 007), compatível com a nova DN 130, que só entrou em vigor 60 dias depois de sua publicação, mas que não é reconhecido pelo sistema empregado pelo SIAM – Sistema Integrado de Informação Ambiental.
Apertam o cerco com o uso da água, fiscalização, multas e etc... É só venha a nós. É de dar dó.
Semana que vem tem mais.
Helio Gomes é consultor ambientalista da Aca – Assoc. Cafeicultores de Araguari
heliogom@aca.com.br
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