quarta-feira, 27 de maio de 2009

E-LIXO A PARTE SUJA DO APARENTEMENTE LIMPO

Se passarmos a considerar que durante o século 20 a população mundial teve um crescimento de 4x (quatro vezes), e, em contrapartida nos últimos 40 anos a extração de cobre 25x e a produção de plástico 41x, não é de se admirar que não existirá planeta que agüente tal retirada de recursos.

Os componentes existentes na confecção de nossos aparelhos eletrônicos, televisores, computadores, celulares e tantas outras traquitanas usadas no nosso cotidiano, são extremamente carregadas de componentes de altíssima toxidade, como o chumbo e o mercúrio (televisores e monitores tem entre 20 a 25% de chumbo em sua composição). Segundo informado no relatório “TI Verde”da Intel – (TI = Tecnologia da Informação, serve para designar o conjunto de recursos tecnológicos e computacionais para geração e uso da informação), um bilhão (1.000.000.000) de PCs serão descartados mundialmente entre 2005 e 2010. Só a metade disso (500.000.000) contém aproximadamente 2.872.000 toneladas de plástico, 718.000 toneladas de chumbo, 1.363 toneladas de cádmio e 287 toneladas de mercúrio.

Dos mais 170 paises signatários da Convenção de Basiléia (Tratado com severas regras para o trânsito de substancias perigosas entre os paises participantes e não participantes), apenas os EUA, Haiti e Afeganistão não participaram e nem o ratificaram. O que demonstra os dois lados da cadeia – o grande produtor de lixo tóxico (EUA) e os que o recebem de forma regular. Pasmem, até mesmo o Brasil recebeu em 2006, 1.190 toneladas deste e-lixo oriundo justamente do estado da Califórnia nos EUA, e aqui o Ministério do Meio Ambiente - MMA se surpreende dizendo desconhecer que tenha acontecido tal tipo de importação... precisamos recorrer ao exterior para termos conhecimento do que se passa aqui ao nosso lado, bem dentro de nosso próprio ambiente.

Se os formadores de opinião e pessoas bem intencionadas em dar prosseguimento na luta árdua em prol do bem estar ambiental não formarem fileiras contra tais desatinos, será muito tarde para qualquer tentativa de sanear o que já se mostra irreparável. Faça sua parte, com ativa contribuição – não se deixe levar pelos apelos insistentes da indústria eletrônica. As empresas se valem da publicidade para passarem uma mensagem que ecoa como um mantra para o consumidor ávido por desempenho: substitua seu produto por um superior. Assim se desfaz de um, comprando outro. E uma enorme avalanche de lixo eletrônico fica vagando por aí, principalmente dirigida ao Terceiro Mundo.

Leve em conta as reais necessidades de novos aparelhos, principalmente PCs, pois com os atuais em uso, nem mesmo 80% de suas funções são utilizadas no dia-a-dia de nossos trabalhos. De que adianta um PC com tecnologia de ponta máxima fazer funcionar qualquer aplicativo em nano segundos, se você só o usa para digitar textos e acessar a internet? Isso qualquer “carroça” faz. Pensem nisto!

Para Jorge Tenório, professor titular da Escola Politécnica da USP, a única forma de combater esse processo é a reciclagem. O problema maior associado ao lixo eletrônico é que a vida média dos produtos está cada vez menor. E cada vez mais gente consome matéria-prima. É uma forma insustentável de lidar com o meio ambiente”.

Durmam com um barulho desse, pois ele não está tão longe de você assim não.

Não é um problema do seu vizinho, mas sim seu, basta abrir os ouvidos e fechar os olhos da ostentação.

Helio Gomes – Consultor Ambientalista da ACA.

heliogom@aca.com.br

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