sexta-feira, 22 de maio de 2009

PEGADA ECOLÓGICA HUMANA

A Pegada Ecológica Humana é uma ferramenta que mensura a área de terra e água que uma população humana requer para produzir os recursos que consome e para absorver seus desperdícios, considerando a tecnologia existente. Ou seja, mede o quanto a humanidade demanda da biosfera, em área biologicamente produtiva em terra e no mar para produzir recursos e absorver nossos dejetos.

Atualmente a Pegada Ecológica humana é 30% maior do que a capacidade de regeneração do planeta. Ou seja, é necessário mais de um ano e três meses para a Terra regenerar o que é utilizado em um único ano. Esta diferença é mantida liquidando os recursos naturais do planeta. Esta é uma grande ameaça subestimada e que não é trabalhada adequadamente.

Se a situação insustentável do planeta continuar como está atualmente, levando-se em conta o crescimento populacional, a evolução tecnológica e o desenvolvimento econômico, serão necessários, já em 2050, dois planetas Terra para suprir a demanda da humanidade, segundo relatório “Planeta Vivo” lançado pela Rede WWF.

Os dados obtidos com base nesse cálculo da Pegada Ecológica, colocam o Brasil na média do consumo anual mundial – o que não significa que seja bom. O equilíbrio seria mantido se caso a média mundial fosse de 1,8 hectares por pessoa ao ano. O Brasil já consome 2,4 hectares, ou seja 33% a mais do que a capacidade da Terra de se renovar.

Essa bolha de crédito ambiental que já é 30% maior que a capacidade do planeta de fornecer bens e serviços à civilização de forma sustentável. Na natureza, assim como nas finanças, esse tipo de empréstimo sem fundos termina em colapso. Sinais dele são as crises do clima e da biodiversidade.

Hoje cada ser humano precisa para viver de 2,7 hectares de área biologicamente produtiva da Terra. Isto inclui a área agrícola e de florestas para produzir comida, fibras e madeira; os oceanos e rios que fornecem pescado; e a porção de biosfera que absorve os resíduos como o gás carbônico e fornece espaço para cidades e infra-estrutura. Acontece que a área biologicamente produtiva da Terra é de 2,1 hectares por pessoa, a diferença entra na conta do débito ambiental.

Algumas ações simples podem ser realizadas no dia-a-dia para reduzir a emissão do gás carbônico (CO2), cooperando para minimizar o aquecimento global e também para reduzir a Pegada Ecológica. Entre essas ações, o consumidor pode, por exemplo, usar menos o carro, optando pelo transporte público, como trem, ônibus ou metrô, andar de bicicleta ou a pé e ainda praticar a carona solidária.

Se uma vez por semana, um individuo deixar o carro na garagem para ir ao trabalho, considerando um trajeto de 20 Km, ao longo de um ano, deixará de lançar para a atmosfera 440 quilos de CO2, como resultado da queima do combustível. Pode parecer pouco, mas essa mesma quantidade de CO2 que um homem levou apenas 52 dias para emitir demora 20 anos para ser absorvida pelo processo de fotossíntese por uma árvore de grande porte.

Em dias de muito calor como os últimos que estamos tendo na região, levam segundo técnicos do Ipea, a conclusão pouco animadora, de que o clima vai ficar cada vez mais quente com possibilidade de chuvas concentradas e muito fortes, em vez das águas pulverizadas durante o ano. Estudos mostram que no Brasil até 2100, a temperatura será acrescida de 1,8 a 3,5 graus. Pelo prognóstico dos especialistas o setor agrícola terá de fazer um grande esforço para se adaptar às mudanças. O café migra do Sudeste para a parte Sul e até para a Argentina. Locais tradicionais para o plantio do grão, como o Triângulo Mineiro, terão terras mais secas e dias mais quentes. Todas as culturas dependentes de muita água e clima fresco teriam menos área disponível

Estamos no momento crucial em que as providências não podem ser paliativas, mas sim orquestradas em larga escala e com medidas enérgicas e de cunho solucionador. Pensem no assunto...

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