Tudo o que faz parte do cotidiano dos seres está de forma intrínseca relacionado ao seu ambiente, e por conseqüência ao ambientalismo e por conseguinte estará nessa coluna.
A semana está noticiosa sobre fatos relacionados à determinada corrente religiosa, com levantamentos de uso inadequado do dinheiro exaurido dos pobres fieis que na plenitude de sua fé, depositaram-no em mãos inescrupulosas.
Relatos e filmagens nos apresentam a sanha com que alguns interlocutores da pseudo-causa instigam os já motivados fieis, diga-se de passagem com um leve cheiro do aproveitamento ali caracterizado como sendo de bandidagem pura.
Em conversas com pessoas de várias correntes religiosas, pergunto com certa dose de ceticismo, se os fatos em si não chegam à beira do estarrecimento, pois estão envoltos em algo muito sério, a exploração da ingenuidade da população com traquitanagens dessa natureza. E a resposta é rápida e direta: “faço minhas doações pela minha fé, se usam os donativos para fins diversos daqueles preceituados pela ética que deveria existir, será com Deus que esses elementos acertarão a conta”.
Ora, direis ouvir estrelas, parece-me como algo já incutido de antemão à doação, num preparo anterior feitos por essas mesmas mãos que desviam o dinheiro, já desviando a culpabilidade que porventura possam ter, das mentes exploradas pela fé incondicional.
É ai que entra a pergunta, quanto vale a fé? Para encontrarmos a resposta, primeiro precisamos compreender o significado da fé.
Respondendo, vamos buscar na origem etimológica, a palavra fé tem 2 origens, a 1ª deriva do grego pistia, que quer dizer acreditar. É o significado mais usual, mas ainda está incompleto, pois não basta crer, é necessário também compreender a razão pela qual se crê. É a chamada fé racionalizada. A outra origem vem do latim, fides, que também possui o sentido de acreditar, mas agrega a este, o conceito de fidelidade, ou seja, é necessário que sejamos fieis ao objeto de nossa fé.
Resumindo é a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém.
É ai que mora o perigo, o individuo já fragilizado pelas mazelas da vida, encontra diante da perspectiva de palavras salvadoras, a sua redenção e daí em diante vai doando tudo o que tem e quando não tem, é escalado para arregimentar mais fieis para a “salvação”. É de grão em grão que a galhinha enche o papo.
As brechas da legislação que isenta do imposto tais instituições sem fins lucrativos, dá margem a tantos desatinos que diuturnamente estamos vendo crescer a olhos vistos. Antigamente mensurava-se o tamanho das cidades pelo numero de edifícios de grande porte, hoje pela efervescente avalanche de novas igrejas que abrem suas portas num piscar de olhos.
Lembro-me dos fatos que levam o ser humano em busca do ganho, mas não me esqueço de que seja digno de entrar em nosso bolso, a sobrevivência e a formação familiar (hoje tão esquecida), para o enriquecimento ilícito e a ganância desmesurada.
Quando compramos algo pelo internet, fazêmo-lo como se estivéssemos praticando um ato de fé, pois paga-se primeiro para receber depois, é virtual mas com dinheiro real. A boa e velha sabedoria manda antes averiguarmos as credenciais do vendedor, atestar com outros compradores a idoneidade do “site” e por fim, convencido, pedir, pagar e RASTREAR O CAMINHO DA MERCADORIA.
É o que os infelizes fieis em sua fé cega deveriam fazer depois das doações, RASTREAR O CAMINHO TRILHADO PELO DINHEIRO, assim fazendo não incorreriam em tantos desatinos que são tão bem vindos aos ladinos.
A resposta da pergunta inicial depende única e exclusivamente de como você a dirige. Habilite-se pois.
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