quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O VALOR DA VIDA

Quando é conhecido o valor de um determinado bem, imediatamente vêm à tona as qualificações que foram inseridas na somatória desta quantia que irremediavelmente é mensurada na forma de valor monetário. Se assim não fosse, não estaríamos correndo desde os primórdios, mesmo sendo rápidos ou fugazes na passagem pela vida, usando o toque selvagem e desumano, mais do que foi usado outrora, na busca maior desse qualificador da importância humana. O dinheiro...

Ao perguntar quanto vale uma vida? Deveria ter como resposta outra pergunta, de que tipo de vida? Posso estar falando da vida de um animal a beira da extinção, da vida de um recém-nascido, de um jovem, ou mesmo de um idoso, enfim, a de um ser humano. E a resposta inexorável será: NÃO VALE NADA!

De antemão já se sabe que é da vida do homem. Valemos menos que um tatu, pois mate um bichinho desses e terá a sanha da Polícia Ambiental caindo em seus calcanhares, é crime inafiançável. Vai preso mesmo, e só sai, depois de julgado e condenado, e o contrário...? Tem muita gente solta por ai.

Estamos sendo bombardeados constantemente com instantâneos, exclusividade da globalização feita pela mídia televisiva, numa frenética sucessão de más notícias com imagens ao vivo e a cores, sem retoques e a qualquer instante. O que vale é a audiência, pois a mesma atrai os patrocinadores e ao mesmo tempo, mais dinheiro. Quando maior o temor imposto sobre a população, maior será a penetração do fato e conseqüentemente maiores serão os espectadores de mais logo, tornando-nos vetores da penetração noticiosa. O valioso boca-a- boca que não custa nada e ao mesmo tempo vale muito.

Lendo reportagem feita por Délcio Vieira Salomon, no EM do dia 3 p.p. intitulada “Pandemia do lucro”, constatei que há muito também assim pensava, mas não com tanta riqueza de detalhes, na maior atração mundial do momento, dado o poder da mídia, que é capaz de fabricar e comercializar alarmismo do tipo: GRIPE SUINA.

É a bola da vez, está sendo impulsionada por grandes conglomerados farmacêuticos (diga-se de passagem de apenas dois deles, a Roche que comercializa o Tamiflu e a Glaxo Smith Kline detentora do Relenza) que encontram nessa pandemia disseminada pela OMS – Organização Mundial da Saúde, a grande oportunidade de auferir lucros escorchantes, principalmente de países do terceiro mundo como o Brasil, pois de emergente só temos nossa teimosia em querer sair do atoleiro terceiro-mundista, mas para os do primeiro mundo ainda gentinha insignificante. Quem esteve lá fora sentiu na própria carne essa verdade.

É ai que entra o total desafio que verdadeiramente temos de enfrentar, com coragem, não com a dos homens destemidos em missões heróicas, mas com coragem política de enfrentar o que verdadeiramente nos aflige, a falta de saneamento básico, de ações concretas na erradicação da mortalidade infantil provocada pela diarréia e desnutrição que matam, mais de 2.000.000 (sim, dois milhões) de criancinhas por ano, na outra praga maior que é a malária, e outras tantas de maior importância, mas que não dão “ibope”, o remédio custa barato e o lucro é pequeno. E a pior das verdades, pensarmos que elas nunca chegarão até nós, pois só afetam os miseráveis e seus pares, e estamos longe desses locais por onde essas doenças se manifestam. Mas a gripe afeta a todos, indiscriminadamente, seja rico ou pobre, ataca do mesmo modo sem escolhas. Notem que falei de gripe, a comum, ela mata tanto quanto a outra, mas não dá manchete noticiosa, não traz lucros como a suína. Se for verdade que o Tamiflu e a Relenza são antídotos contra o mal, por que não os distribuem de graça, a simples decisão de transformarem em genérico a patente desses medicamentos já seria um grande passo.

Em tempo, estão importando 18 milhões de doses uma vacina experimental (a que preço?).

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