Lendo um artigo publicado no “O Diário” a respeito das novas medidas adotadas na operação tapa-buracos, (que está sendo adotada pela PM de Araguari no verdadeiro ambiente lunar encontrado em nossas ruas asfaltadas), pensei: até que enfim estão adotando técnicas pra lá de comuns usadas no dia-a-dia das obras de engenharia.
Primeiro é preciso limpar a área afetada de todo e qualquer resíduo estranho ao ambiente asfáltico, assim como secar a umidade residente nos buracos abertos, ou seja, é tal qual a extração de um corpo canceroso num organismo doente, é preciso cercar-se de medidas de cautela e abrir o campo de ação para evitar resquícios laterais. Seja, pois, abrir mais a ferida para depois reconstituí-la. Não se esquecendo de que a compactação deve ser feita por meios mecânicos, adotando o chamado sapo mecânico, e não a antiga e usual prática, a do montinho mais alto para ser compactado pela posterior passagem de nossos veículos.
Louvamos tal medida que está antecipando os terríveis efeitos provocados pela chegada do período chuvoso, mas leva-me a um questionamento matemático, (que qualquer cidadão de bom senso adota), quando tem que mexer no seu bolso ao fazer qualquer tipo de negocio – o custo benefício!
É aí que entra um outro tipo de benesse, a ambiental. Reclama-se a plenos pulmões que o asfaltamento das vias públicas retira a capacidade de absorção das águas que descem cada vez mais copiosas sobre nossas cabeças, muito mais em virtude dessa desenfreada moda chamada por “alguns” de progressista . Cobrem-se ruas dantes recobertas de paralelepípedos, (que deixam a água se infiltrar em suas juntas para o subsolo), evitando a danosa enxurrada que segue abaixo destruindo e inundando as partes baixas da cidade. Vide o exemplo do malfadado projeto de canalização do córrego Brejo Alegre. Por uma arcaica teoria de que os sacolejos provocados pelos “pés de moleques” em nossos carros são por demais danosos aos veículos e ao conforto dos usuários, esquecendo-se das terríveis crateras e dos nefastos cogumelos criados pela má recuperação dos buracos criados pela chuva e pelas aberturas de valas tão mal tampadas nas ruas asfaltadas.
Solicitaria uma investigação criteriosa dos custos causados por metro quadrado de uma área asfaltada e suas conseqüentes reparações feitas ano a ano, com o custo de uma mesma área coberta por outro tipo de calçamento. Vide um exemplo bem sucedido de cobertura de via pública: a rua Rui Barbosa no coração de nossa cidade – coberta com blocos de concreto sextavados- de uma durabilidade sem par, pois conheço aquele calçamento desde a época dos anos 70, quando para cá fixei moradia. Cadê a manutenção? Cadê os reparos de chuva? Cadê os buracos?
Talvez os motivos sejam bem mais escusos para uma compreensão globalizada da população, pode ser bem melhor enfrentar concorrências “entre aspas”, por companhias construtoras que, entre si, se regozijam nos custos finais, divididos, mas dentro da lei, do que realizar pelos próprios meios um serviço que gerará muitos empregos em mão de obra humana e local.
Mais córregos para serem recobertos e recanalizados devem estar nos espreitando. O futuro é cíclico, e o mal não cessa, sempre se repete. Porque continuar no erro? Responda quem puder. Estaremos esperando as respostas.
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